quinta-feira, 26 de julho de 2012

Anima Mundi entra para o seleto clube de festivais do Oscar

Anima Mundi entra para o seleto clube de festivais do Oscar

A partir deste ano, o curta vencedor da principal mostra competitiva do festival ganha o direito de se inscrever para concorrer à estatueta da Academia


O primeiro dia de Anima Mundi traz não só o que de mais novo há no mundo da animação quanto o que de melhor passou pelas telas do festival em seus 20 anos de história. Criado por um grupo de amigos, e animadores, que queria ver mais valorizada, e vista, sua arte, o evento chega a sua segunda década como o mais importante, e maior, da América Latina. E é para comemorar que foi criada a sessão Retrospectiva AM 20 Anos, que traz de volta todos os vencedores do prêmio principal do festival e do júri popular. 

Na programação hoje, com sessão às 19h, no Centro Cultural Banco do Brasil, a AM 20 Brasileiros 2 conta com uma seleção que se destacou nas edições de 2002 a 2006.Engolervilha, do brasileiro Marão, levou os prêmios de melhor filme brasileiro - júri popular Rio de Janeiro & São Paulo em 2003. Em seu terceiro curta, o diretor já mostrava o melhor de seu humor bizarro e, ao mesmo tempo, hilário. Engoervilha consegue, ao mesmo tempo, combinar o escatológico, ervilhas, urina e galináceas. Só assistindo para saber. Bom é saber que Marão está preparando atualmente uma versão do curta para crianças, o Engoervilhinha, "com censura livre". O animador também está preparando seu primeiro longa. 

Outra sessão que merece destaque hoje é Panorama 1. Dedicada a exibir as tendências, novas estéticas e temas, a seção traz o que há de mais novo da produção internacional de curtas-metragens de animação. Entre abordagens variadas, destaque para o norueguêsLexdysia, de Marc Reisbig. Ao contar a história de um garoto que luta contra a dislexia, o curta mistura 'live action' ('filme de verdade') e animação. Quem é disléxico, mesmo que em um grau leve, sabe o quanto palavras que surgem misturadas na cabeça podem ser um desafio assustador. São estas palavras que ganham vida e aparecem de várias formas. Com imaginação, ele supera pesadelos e doma o monstro da dislexia. A sessão, hoje às 13h3o no Memorial 3 (e domingo, também às 13h30, no CCBB) ainda conta com outros cinco curtas.

Imaginativo também é o brasileiro Linear, de Amir Admoni. Com a premissa "a linha é um ponto que saiu caminhando", o curta usa engenhosidade para falar da opressão vivida por quem mora e circula (ou tenta) no trânsito infernal de São Paulo. Na sessão Curtas 2, hoje, às 22h, no Memorial 1, e no sábado, às 13h, no Memorial 2.

Para finalizar, um pioneiro da animação brasileira, Chico Liberato, ganha sessão de seu novo longa, Ritos de Passagem, às 17h, no CCBB. O filme homenageia duas grandes figuras do Nordeste: Lampião e Antônio Conselheiro. Imperdível. Como disse Liberato na sessão de Ritos no Rio, "é preciso contar a história de nossos indivíduos, antes de mirarmos indivíduos de fora daqui."
De volta à Aardman, outra atração do estúdio é Piratas Pirados, um dos longas-metragens que são destaque desta edição. Dirigido por Grace, foi totalmente realizado em stop motion, contou com o trabalho de 300 animadores e demorou sete anos para ser finalizada.

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